Boas Vindas!!

MOJUBÁ !
Temos o intuito de incentivar e discultir textos sobre as religiões de matriz africana entre outras questões que envolve essa temática, também ter um espaço para divulgação da atividades da Egbé que alcança o Ilê Axé Sangó e o Centro Cultural Ébano Brasil.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Religião e Xenofobia


A proliferação do preconceito e do ódio através do sentimento religioso é um tema político para além do processo eleitoral.
A xenofobia é uma estratégia da oposição. No último mês, multiplicou-se de forma crescente uma onda de difamações contra as campanhas do Partido dos Trabalhadores e seus aliados. A oposição escolheu incluir nas redes ligadas aos sistemas religiosos, basicamente cristãos católicos e evangélicos, a velha disputa do bem e do mal. Suscitam os temas chamados polêmicos à moral cristã como aborto, homossexualismo, ateísmo, perdas das liberdades, satanismo para criar o assombro nas massas religiosas. Lógico, nem todos os cristãos estão envolvidos. Há repúdios explícitos em ambas as tradições contra a desinformação e a proliferação de informações inverídicas nessas eleições. Não é a primeira vez e não será a última. Mas o essencial é saber do agravante, a dose xenófoba, o medo do desconhecido mascarado como aversão, e a difusão do preconceito no entorno das manifestações de líderes e Igrejas cristãs.
Há exemplos no passado, inquisições, nazi-fascismo, racismo, apartheid. Não é necessário aqui descrever quais as verdades e mentiras, porque as calunias sem sustentação se revelarão no decorrer do tempo, restando a vergonha aos que, em nome de Deus, serviram-se desses artifícios. A xenofobia é abominável. Utilizar-se de uma suposta pureza para eliminar as chamadas impurezas de um determinado grupo ou sociedade. Abstraindo-se de qualquer senso critico, criando estereótipos e ódio na sociedade.
O vale tudo nas eleições e o despreparo das chamadas elites brasileiras conduziram à utilização desses métodos. Negaram o debate político e de projeto de sociedade para criar o ódio e o preconceito. A preocupação é o amplo envolvimento de cristãos, alguns bem preparados e conscientes, em servirem-se desses artifícios, absolutamente contrários aos preceitos da Fé Cristã. Valeram-se da mentira como instrumento para afirmação da sua verdade, ou para revelar qual é a verdade em jogo: utilizar da boa fé, da religiosidade, da inocência das pessoas, como ferramentas hostis de uma disputa política e ideológica nessas eleições.
A estratégia está identificada. Aglutinar a opinião e o senso comum entre os fiéis através da moral cristã, criar o estereótipo e produzir preconceito social contra a candidatura do Partido dos Trabalhadores. Os prejuízos seguintes a ações dessa natureza podem, sem dúvida, ter consequências irreparáveis ao convívio democráico, à pluralidade e à liberdade de consciência conquistada com muito esforço e luta nos últimos anos.
O debate sobre a utilização da chamada ética cristã como ferramenta política, enviesada de atributos ideológicos perversos será amplamente difundida e, terá reflexos eleitorais. Cabe nesse momento, desmascarar tal perversidade.
Reverendo Luis Sabanay Teólogo e Pastor Presbiteriano
Fonte: JusBrasil
Catado do site: www.geledes.org.br. Dia: 80/10/2010.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Convite

Quem é de Axé diz que é!!

Irmãos e irmãs,

Este ano ocorrerá o recenseamento da população brasileira, no mesmo uma questão é muito importante:

- A questão da religiosidade.

Precisamos superar os preconceitos internos para que assim tenhamos forças para superar o preconceito externo, institucional, social, etc.

Muitos ao preencher o formulário sempre colocam que são "católicos" ou "outros" ou "espíritas', tal afirmativa prejudica nossas comunidades seja de umbanda, candomblé, têreco, xambá, batuque, cambinda, catimbó, jurema sagrada, kimbanda, nação, tambor de mina, djeje, nagô, angola, ketú, igbomina e/ou outras denominações existentes, pois o estado brasileira utiliza-se das informações para definir políticas públicas para a população e atualmente consta a base de dados do IBGE que somos apenas 0,35% da população brasileira.

Sabemos que isto não é verdade, mas como mudar isto? Simplesmente assumindo a sua verdadeira religião, existem várias campanhas algumas ligadas a comunidade umbandista e outras ligadas às casas de candomblé, independente de ideologias precisamos unir esforços, segurar as mãos e assumir nossa religiosidade.

Mas um ponto importante precisa ser alertado, o IBGE criou comissões estaduais para definir o formulário que será preenchido, e estas comissões são autônomas, e elas que vão definir quais os itens que vão constar no campo a ser preenchido sobre a religiosidade, e podem suprimir a nossa religião mais uma vez.

Assim, é de extrema importância e urgência que todos se mobilizem em seus estados, e participem destas comissões do IBGE, fazendo constar no campo da religiosidade a nossa religião.


Site do IBGE referente o CENSO http://www.censo2010.ibge.gov.br/

**Visite Rede Afrobrasileira Sociocultural em: http://redeafro.ning.com/?xg_source=msg_mes_network
 

Diponibilizado pela 
Rede Afrobrasileira Sociocultural <redeafrobrasileira@gmail.com

Estatuto da Igualdade Racial: avanço ou retrocesso?


Alexandre Ciconello

Depois de 10 anos de tramitação, finalmente foi aprovado pelo Senado Federal (23/6) o Estatuto da Igualdade Racial. Entre a ida e a vinda do Senado para a Câmara, o texto aprovado é muito diferente do projeto original proposto pelo senador Paulo Paim (PT/RS). Para muitos, o que saiu do Senado é um retrocesso, uma imagem pálida e distorcida do texto original. Para outros, a aprovação do estatuto é um avanço na promoção da igualdade racial no país. Quem está com a razão?
Antes de analisar a desconstrução do Estatuto da Igualdade Racial, realizada primeiro na Câmara e depois no Senado, cabe dizer que a discriminação sofrida por negros/as no Brasil se deve a uma estrutura racial existente em nossa sociedade, que mantém privilégios e alimenta a exclusão e as desigualdades sociais. A população negra tem maiores dificuldades de acessar bens e serviços públicos, o mercado de trabalho, o ensino superior e gozar plenamente dos seus direitos. Dois terços dos pobres no Brasil são negros. Metade da população negra no Brasil vive abaixo da linha da pobreza. Um jovem branco no Brasil tem três vezes mais probabilidade de chegar a universidade do que um jovem negro.
O Estatuto da Igualdade Racial tinha como objetivo propor medidas concretas a fim de reduzir essas enormes disparidades. Assim, a proposta original adotava medidas no campo da saúde, educação, territórios quilombolas, meios de comunicação, acesso à Justiça, adoção de políticas de cotas, etc. A Câmara dos Deputados já havia retirado importantíssimas disposições do estatuto. A bancada ruralista na Câmara, assim como tenta arduamente destruir a legislação ambiental brasileira, extirpou todo o capítulo sobre a regularização dos territórios quilombolas do Estatuto. A Câmara também retirou a seção sobre os direitos da mulher afro-brasileira e a previsão de cotas para atores negros/as nos programas televisivos e em peças publicitárias. A nossa televisão vai continuar a retratar nossa sociedade como loura e de olhos azuis. Os Estados Unidos, com uma população negra proporcionalmente muito menor que a nossa, possui representação negra em programas televisivos, filmes etc., muito maior que a brasileira.
As mudanças feitas na Câmara foram aprofundadas pelo senador Demostenes Torres (DEM-GO) na devolução do projeto ao Senado. O DEM representa a posição de uma elite branca e conservadora, que combate qualquer ação de promoção da igualdade racial no país. Cabe dizer que o DEM ajuizou ação no STF contra a demarcação dos territórios quilombolas e contra as cotas nas universidades públicas.
O relatório do senador Demostenes nega a existência de raça e com argumentos grosseiros retira toda a referência a palavra raça do Estatuto. Essa aberração foi aprovada pelo plenário do Senado, indo contra toda a legislação internacional ratificada pelo Brasil nesse tema. O Brasil ratificou a Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial em 1969 e, em 2001, adotou a Declaração e o Programa de Ação de Durban, que estabelece várias obrigações ao Estado brasileiro para o combate à discriminação racial e ao racismo.
O estatuto sem raça do senador Demostenes Torres, com o aval do senador Paulo Paim e do governo federal, eliminou toda a previsão de cotas no ensino superior e nos partidos políticos. Rejeitou o conceito de reparação e compensação previsto do estatuto, retirou o artigo que tratava de operacionalizar a política nacional de saúde da população negra e excluiu as propostas de incentivos fiscais a empresas que mantenha uma cota de, no mínimo, 20% de trabalhadores negros. Ou seja, todas as disposições substantivas foram excluídas do estatuto, na Câmara e, depois, no Senado. Disposições relacionadas a questões culturais, como a capoeira, foram mantidas. Negro jogando capoeira, batucando e no campo de futebol, pode. Negro na universidade, proprietário e como deputado/a no Congresso Nacional, não pode.
É triste ver a elite branca comemorando a aprovação do estatuto sem cotas, sem mencionar raça, sem quilombos. E viva a democracia racial brasileira defendida em um Senado dominado por representantes brancos em um país de maioria negra, que, devido ao racismo, vivenciam uma cidadania restrita e privada de direitos.
*Alexandre Ciconello é Advogado, assessor de direitos humanos do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), mestre em ciência política e especialista em direitos humanos pela American University.

Fonte: Lista de Discriminação Racial
Catado no site: http://www.geledes.org.br/em-debate/estatuto-da-igualdade-racial-avanco-ou-retrocesso.html em 09/07/2010