Boas Vindas!!

MOJUBÁ !
Temos o intuito de incentivar e discultir textos sobre as religiões de matriz africana entre outras questões que envolve essa temática, também ter um espaço para divulgação da atividades da Egbé que alcança o Ilê Axé Sangó e o Centro Cultural Ébano Brasil.

quinta-feira, 1 de março de 2012

NOSSA HERANÇA YORUBANA


Babaloorisá João Bosco D’Sangó





            É inegável que os negros yorubanos que na condição de escravizados vieram para as Américas e consecutivamente para o Brasil deixaram um legado fantástico para a formação religiosa desta nação. Estamos referindo ao Candomblé – Culto de matriz africana que foi organizado e adaptado a realidade brasileira. Não se pode afirmar que em qualquer lugar da África tenha noticias de existir o Candomblé como é praticado em nosso país, o que existe do outro lado do Atlântico são cultos animistas familiares que difere em sua grande maioria do culto afro-brasileiro denominado de Candomblé. Porém negar a raiz africana desse culto seria hipocrisia, visto que os Orisás vieram na alma do povo yorubano durante o processo diaspórico.  E com a inteligência e sagacidade do homem e da mulher negro (a), especialmente dos de cultura yorubana, os mesmos organizaram um culto que ao mesmo tempo tem tudo a ver com o que se pratica no continente negro, porém com um rosto tipicamente afro-brasileiro. Enquanto em na Nigéria cada comunidade ( ègbé) tem seu culto familiar ancestral próprio, ou seja cada grupo familiar culta um único Orisá, entre nós praticantes de Candomblé em um mesmo é preferível que se tenha a presença de todas divindades. Sem dúvida a sagacidade afro-brasileira sem desse culto tipicamente africano uma nova forma de ligação com o nunca dos Orisás. Não se pode negar que esse modelo de organização (re) criado por estas terras fez com o ato de cultuar as divindades africanas se tornasse mais rica e diversificada culturalmente falando. Entretanto não perdeu a essência do que é praticado em África.

            Neste mês este meio de comunicação deseja começar discussão acerca das raízes africanas presentes no culto de Candomblé praticado em nosso país, para tanto depois de pesquisas e leituras, escolheu-se a obra Cultura Ioruba – Costumes e Tradições, escrita pela pesquisadora Maria Inez Couto de Almeida – Ifatosin, para nortear nossas reflexões, e sem dúvida aprofunda nosso conhecimento sobre quem somos e o que praticamos. O texto que apresentamos constitui o primeiro capitulo da referida obra, e intitula-se Costumes e Traduções, no qual a autora busca perceber semelhanças entre o Candomblé de Nação Ketu por nós praticado e os costumes tradicionais yorubano, vale a pena ler e refletir.

            O segundo artigo refere-se uma lenda yorubana na qual busca dar explicação de um dos fatores que o Orisá Esú é o primeiro a comer e o primeiro a ser saudado no Culto de Nação Ketu. A lenda intitula-se Eleguá[1] ganha a primazia nas oferendas.

            Em se tratando das atividades da Ègbé Omorisá Sangó para o mês de março, são as seguintes:

-Dia 03- sábado: (Das 15:00 às 18:00 horas) – Atendimento Público;

- Dia 03 – Quarta Feira ( 20:30) Amalá

-Dia 10- sábado: ( Das 15:00 às 17:00 horas) –  Projeto Discutindo Candomblé Ketú;


Dia 17- sábado: ( Das 15:00 às 17:00 horas) –  Projeto Discutindo Candomblé Ketú;


Dia 24- sábado: (Das 15:00 às 18:00 horas) – Projeto Falando Yorubá: Cantando e Dançando  para Orisá;


Dia 25 – domingo: ( Das 10:00 às 12 horas) - Projeto Falando Yorubá: Cantando e Dançando  para Orisá.


Aproveitamos a oportunidade para parabenizar todas as mulheres de asé (08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER) que fazem a diferença em nosso país, verdadeiras mães e zeladoras de nossas ègbé, ilês e templos. Nosso carinho especial a Iya Nair d’Oya, nossa querida Iya Kèkèrè e as Iyarobás Suzi d’Osun e Ângela d’ Osun.


Texto 01:        COSTUMES E TRADIÇÕES

Maria Inez Couto de Almeida - Ifatosin

Verificamos uma grande semelhança entre os costumes tradicionais dos iorubá - independente de religião, e os rituais nas cerimônias dos candomblés de Ketu, no Brasil. Não pretendemos, nem sequer podemos, discutir fundamentos. Queremos apenas mostrar pontos comuns entre os antigos hábitos dos povos que formavam o grupo iorubá e o comportamento atual dos adeptos da religião trazida para o Brasil. Acreditamos em uma adaptação dos costumes para propiciar a aplicação dos fundamentos.


Cuide de suas maneiras

Cuide de suas maneiras, meu amigo!

A honra pode abandonar nossa casa,

e a beleza, às vezes, acaba.

O rico de hoje pode ser o pobre de amanhã.

A honra é como o mar,

e também a onda da riqueza;

ambas podem escapar de nossa casa.

Mas as boas maneiras acompanham-nos

até ao túmulo.

O dinheiro não é nada,

As boas maneiras é que são

a beleza da humanidade.

Se você tem dinheiro, mas não se comporta bem,

quem irá confiar em você?

Ou, se você é uma mulher muito linda,

mas não se comporta de maneira adequada,

quem desejará tê-la como esposa?

Ou, ainda, se você é muito educado,

mas engana as pessoas,

quem confiará em você para negócios?

Cuide de suas maneiras, meu amigo.

Sem bons modos, a educação não tem valor.

Todos amam uma pessoa que sabe se comportar.

Esta poesia iorubá retrata bem os costumes e a importância que o povo dá à educação e à honra.

TOJÚ ÌWÀ RE

Tojú ìwà re, ore mi!

Olá a ma si lo n’ilé eni,

Ewà a sì ma sì l’ára enia,

Olówó òní ‘ndi olòsì b’ó d’ola

Òkun l’ola, òkun nìgbì oro,

Gbogbo won l’ó ‘nsí lo nílé eni;

Sùgbon ì`wa ni ‘mbá’ ni dé sàree.

Owo kò je nkan fún ‘ni,

Ìwà l’ewà l’omo enia.

Bí o l’ówó bí o kò ní ‘wà ‘nko,

Tani je f’inú tán o ş’ohun rere?

Tàbí bí o sì şe obìrin rogbodo,

Bí o bá jìnà sí ‘wa tí edá ‘nfe,

Taní je fe a s’ílé bí aya?

Tàbí bi o je oníjìbìtì enia,

Bí a tile mo ìwé àmodájú,

Taní je gbé ‘se aje fún o se?

Tojú ìwà re, ‘ore mi,

Ìwà kò sí, eko d’ègbé,

Gbogbo aiye ni ‘nfe ‘ni t’ó je rere.

A importância dada ao bom caráter (ìwà pele)

Ìwà é o que caracteriza uma pessoa sob o ponto de vista ético. Para ser feliz uma pessoa deve ter ìwà pele, pois quem tem bom caráter não entra em choque com os seres humanos nem com os poderes sobrenaturais. Esse é o mais importante dos valores morais iorubá, e a essência da fé consiste em cultivá-lo.

A lenda de Ìwà é relatada na literatura de Ifá.

Ìwà era uma mulher de rara beleza com quem Orúnmílà se casou, após ela ter se separado de diversos outros deuses.

Apesar de sua beleza, Ìwà tinha maus costumes e falava demais, sendo ainda preguiçosa e irresponsável.

Depois de algum tempo de casados, Orunmila, não podendo suportar o mau comportamento de sua esposa, mandou-a embora.

Entretanto, quando Ìwà partiu, Orúnmílà percebeu que não podia viver sem ela. Perdeu o respeito dos vizinhos, sua prática divinatória perdeu o valor, seus clientes se afastaram, ficou sem dinheiro, enfim perdeu tudo e foi desprezado por todos.

Tentando achar uma solução, vestiu-se de Egúngún e saiu por aí, à procura de Ìwà. Foi à casa dos 16 odu de Ifá à procura da esposa, cantando na porta de cada um:

“Grande Sacerdote de Ifá de Ajeró,

Adivinho de Ajeró,

Onde você vir Ìwà, diga-me.

É Ìwà, Ìwà que estou procurando.

Se você tem dinheiro, mas não tem Ìwà,

O dinheiro não é seu;

Ìwà é a pessoa que eu procuro.

Se alguém tem filhos, mas não tem Ìwà,

As crianças pertencem a outra pessoa;

Ìwà, é que procuramos

Se temos uma casa, mas não temos Ìwà,

A casa não é nossa, é de outra pessoa.

Ìwà, Ìwà é o que procuramos.

Se você tem roupas, mas tem falta de Ìwà,

As roupas pertencem a outra pessoa.

Ìwà, Ìwà é o que procuramos.

Todas as boas coisas da vida que um homem possui,

Se ele perder Ìwà, elas passam a pertencer a outra pessoa.

Ìwà, é o que estamos à procura!”

(Ogbon inú, awo Alárá;

Dífá fún Alárá, Èjí Osá,

Omo Amúrin kàn dogbon agogo.

Ìmoràn, awo Ajerò, Difá fun Ajerò,

Omo ògbójú koroo jà jále.

Níbo ló gbé ríwà fún un o,

Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.

Ó nó bó o lówó, tóò níwà,

Owo olówó ni.

Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.

Omo la bí,

Ta níwà, Omo olomo ni.

Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.

Bá a nílé, tá à níwà,

Ilé omílé ni.

Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.

Bá a láso,tá à níwà

Aso, aláso ni.

Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.

Ire gbogbo tá a ni,

Tá à níwà.)

Depois de grande procura Orunmila achou Ìwà casada com Olójo. Quando cantou na porta de Olójo, este foi à porta recebê-lo e recusou-se a devolvê-la. Então eles começaram a brigar. Orúnmilá bateu em Olójo com a perna de uma cabra que havia sacrificado antes de sair de casa. O impacto atirou Olójo a muitas milhas de distância, e Ìwà foi levada de volta para sua casa.

Ao analisar a lenda vemos as várias razões da importância dada a Ìwà. Primeiro é importante que o bom caráter seja simbolizado por uma mulher. No folclore ioruba as mulheres representam os dois extremos – amor, cuidado, devoção e beleza, versus fraqueza, deslealdade e falsidade. Só as mulheres podem simbolizar essa dualidade, de acordo com o conceito ioruba. A lenda mostra ainda que o homem deve cuidar de seu caráter tão bem como cuida de sua esposa. Da mesma forma que manter a esposa é obrigação do marido, o bom caráter deve ser uma obrigação para os quem têm fé e querem viver de forma correta.

As mulheres são consideradas bruxas e podem até ser mentirosas, mas os iorubá crêem que a sociedade não pode sobreviver sem elas. Da mesma forma, pode ser difícil ter bom caráter, mas não se pode ser feliz sem ele.

Ìwà foi uma mulher que perdeu os bons hábitos. Significa que o homem que quer ter bom caráter deve estar preparado para encarar egbin - coisa suja - e passar por algumas situações desagradáveis, que podem ofender sua dignidade e decência. Mesmo assim não deve se desviar do bom caminho, para não perder a essência e o valor de sua vida.

Os versos equiparam Ìwà aos bens materiais que os homens almejam: dinheiro, filhos, casa e roupas. Um homem que tem bens materiais, mas não tem caráter, provavelmente irá perder tudo para uma pessoa de caráter, que saberá melhor tomar conta desses bens. Ìwà é o atributo de maior valor entre todos, no sistema iorubá.

Vemos que o costume dos zeladores de santo, de transmitir ensinamentos através de lendas (itans) em que os Orixás se comportam como pessoas comuns, com seus defeitos e fraquezas, é também uma herança da cultura tradicional ioruba.



Texto 2 – ELEGUÁ GANHA A PRIMAZIA NAS OFERENDAS

            Olofim estava muito doente. Muitos foram vê-lo, mas não se encontrou o que o curasse. Por esses tempos Eleguá comia o que o lixo lhe dava, convivendo com a miséria. Sabendo da doença de Olofim, Eleguá vestiu um gorro branco, igual aos que usam os babalaôs, e foi visitar o velho rei. Levou consigo suas ervas e com seu poder curou Olofim. E o mesmo ficou agradecido. Perguntou a Eleguá qual deveria ser a recompensa. Eleguá que conhecia o que era miséria, que provara do desprezo de todos, pediu-lhe que lhe dessem a primazia nas oferendas, que lhe dessem sempre um pouco de tudo o que pusessem à entrada das casas, de modo a ser sempre o primeiro a ser saudado pelos que chegassem à casa. E para que fosse saudado pelos que saíssem à rua. Olofim estava grato a Elguá. Olofim deu tudo o que Eleguá pediu. (PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Cia das Letras: São Paulo-SP, 2001, p. 53 e 54)

























[1] Eleguá é um dos nomes do Orisá Esú.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

FELIZ 2012


 Babálòórisá João Bosco D’Sangó

Cremos que final de um ano e inicio de outro é momento ideal para reflexão de nossas atitudes. Ocasião para pesarmos nossas ações e reações cotidianas, pois nós praticantes de Candomblé temos a certeza que a cada ato implica em sua contrapartida, a saber, uma reação. Se fomos justos, corretos e coerentes com nossos semelhantes, a reação é a benevolência e a harmonia.  E como cremos que não estamos no ayè ( mundo visível) por acaso, e cremos também que nós praticantes do culto de Candomblé devemos cotidianamente buscar harmonizarmos conosco mesmo, com nossos iguais e com a natureza, ressalvamos a necessidade de pensarmos em tudo que fizemos no nosso dia a dia.

Assim agindo, teremos a certeza que o ano de 2012 será uma sequencia de paz e harmonia ou de uma sucessão de negatividades. E como sempre almejamos a positividade, seria de bom alvitre que rogássemos aos Orisás que nesse ano sejamos mais ético, mais valorosos, mais conscientes de nosso papel de candomblista na sociedade na qual estamos inseridos, que sejamos mais destemidos em nossas praticas religiosas diárias. Que sejamos mais atuantes não só no interior nossas ilè, ègbé e templos, mas principalmente na sociedade.

Temos que agir como candomblista em todos os circuitos onde estivermos presentes. Se somos éticos em nossos templos, também devemos agir com ética e ponderação na sociedade. Se bradamos aos quatro ventos que buscamos a harmonia entre humanos e natureza, não temos o direito de sair por ai feito doidos jogando bitucas de cigarros em qualquer lugar, diga-se de passagem, nós candomblista nem deveríamos fumar, para não poluir o nosso corpo que templo dos nossos Orisás.

Para começarmos nossas reflexão trazemos artigo da yalorixá Maria Stella de Azevedo Santos do Yalorisá do  Ilè Asé Opò Afonjá, no qual a mesma faz  reflexão sobre a inveja.

Já o segundo texto visa demonstrar a atitude de um sargento evangélico contra um soldado praticante de Candomblé. Bem como demonstrar a coragem do soldado em não negar sua fé nos Orisás.

Em contrapartida o terceiro texto trata-se de uma poesia de autoria de Oliveira Silveira no qual ele destaca a importância que é para nós negros e afrodescendentes a busca de nossas origens. Poesia de um valor lúdico fantástico para compreendermos a validade de nossas lutas pelo (re) conhecimento e valor das origens negras.

Por sua vez o quarto artigo intitulado “Ewé! A força que vem das Folhas”, de autoria do Bàbáloorisá Olúmolà, busca compreender e demonstrar a importância das ervas no mundo do Candomblé. Artigo de valor acadêmico profundo e de um rigor cientifico fenomenal. Diga-se de passagem, tal artigo foi lido e debatido com grande afinco entre os membros da Ègbé Òmorisá Sangó, no projeto Discutindo Candomblé de Nação Ketu.


 A Ègbé Omorisá Sangóesta em recesso de suas atividades rotineiras.

Desejamos a todos (as) leitores (as) desde meio de comunicação um ano de alegria, paz e prosperidade e muito asé e sucesso em todos os aspectos. Boa leitura 

MÃE STELLA: REFLEXÃO SOBRE A INVEJA


Maria Stella de Azevedo Santos- Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá



A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.

Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.

Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Fonte Imagem: Mãe Stella faz uma bela reflexão sobre a inveja. Foto: Diego Mascarenhas / Ag. A TARDE/ 09.07.2010
Fonte: Mundo Afro 

JUSTIÇA MILITAR CONDENA SARGENTO EVNAGÉLICO POR CONSTRANGIMENTO A SOLDADO CANDOMBLECISTA


O Superior Tribunal Militar (STM) manteve, dia 3 último, por unanimidade, a condenação do sargento do Exército J.R.M a dois meses de prisão pelo crime de constrangimento ilegal, capitulado no artigo 222, parágrafo primeiro, do Código Penal Militar (CPM). O sargento, pastor de uma igreja evangélica, teria apontado uma pistola carregada na cabeça de um soldado, praticante do candomblé, para "testar" a convicção religiosa do subordinado.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), em 8 de abril de 2010, no interior da reserva de armamento do 1º Depósito de Suprimento, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o terceiro-sargento J.R.M dirigiu-se, com uma pistola em punho, até a bancada do soldado que fazia a manutenção de fuzis. O graduado municiou e carregou a arma e depois a apontou para a cabeça do soldado. Em seguida mandou a vítima realizar uma contagem, de um a três, indagando se ele teria mesmo o "corpo fechado".
Em depoimento, o réu afirmou que o ofendido é praticante de candomblé, tendo inclusive várias marcas no corpo que indicavam que ele estaria protegido por divindades.
Com a arma apontada, o sargento teria perguntado à vítima se ela tinha certeza daquilo que estava afirmando. O soldado, então, respondeu "sim", sem esboçar qualquer manifestação de temor. Segundo os autos, a munição usada pelo réu era de manejo, utilizada para treinamento, sem potencial ofensivo (sem pólvora ou projétil). Porém, a vítima não tinha conhecimento do detalhe.
Segundo o MPM, o soldado foi constrangido a fazer o que a lei não manda, pois viu-se obrigado a manifestar-se sobre sua convicção religiosa e sob a mira de uma arma, o que "consistiu num verdadeiro teste de fé religiosa".
Ainda segundo a promotoria, os depoimentos das testemunhas confirmam as versões dos fatos. "Todos os elementos do tipo penal estão presentes. O réu, mediante grave ameaça, compeliu o ofendido a colocar em prova a sua fé", afirmou a acusação.
De acordo com a promotoria, a liberdade de consciência e de crença é um dos direitos fundamentais esculpidos na Constituição Federal, ficando evidente que a motivação foi a intolerância religiosa.
O acusado afirmou ter baixado a arma porque percebeu que não tinha procedido corretamente. Afirmou que, posteriormente, chamou a vítima e se retratou com ela dizendo estar arrependido e relatado que a munição era de manejo. O sargento também informou que se retratou perante o padrasto do ofendido e que ele mesmo comunicou o fato ao seu comandante. O réu arguiu, em sua defesa, que trabalha há 22 anos com armamento, tendo perfeito conhecimento das normas de segurança. E como utilizou arma de manejo, considerava que a sua conduta não tinha sido incompatível com as normas de segurança.
O advogado do acusado afirmou que a conduta do réu teve o intuito de admoestar (censurar) e não o de constranger o soldado e requereu a sua absolvição por "não constituir o fato infração penal", com base no artigo 439, alínea b, do Código de Processo Penal Militar (CPPM).
Em seu voto, o relator da apelação, ministro Francisco José da Silva Fernandes, negou provimento ao apelou e manteve íntegra a sentença de primeiro grau. "O fato se reveste da maior gravidade, pois o acusado é graduado, tem mais de vinte anos de serviço e teve uma conduta altamente reprovável", afirmou.
Para o magistrado, o acusado deixou claro o seu inconformismo em razão de sua crença religiosa, dizendo que era inadmissível alguém se considerar com o "corpo fechado" e resolveu testar a fé do ofendido.
Ainda segundo o relator não procede a alegação da defesa de que a confissão espontânea, nesse caso, resulte na atenuação da pena, prevista na alínea d, do inciso 3º, do artigo 72, do Código Penal Militar (CPM). "A minorante só é aplicada quando a autoria do crime é ignorada ou imputada a outro, realidade diversa do caso em concreto".
Fonte: Correio Nagô

ENCONTREI MINHAS ORIGENS


Encontrei minhas origens
Em velhos arquivos
Livros
Encontrei
Em malditos objetos
Troncos e grilhetas
Encontrei minhas origens
No leste
No mar em imundos tumbeiros
Encontrei
Em doces palavras
Cantos
Em furiosos tambores
Ritos
Encontrei minhas origens
Na cor de minha pele
Nos lanhos de minha alma
Em mim
Em
minha gente escura
Em meus heróis altivos
Encontrei
Encontrei-as enfim
Me encontrei
Oliveira Silveira- pelenegra.blogspot.com

EWÉ! A FORÇA QUE VEM DAS FOLHAS!


 Por Bàbá Asògún Olúmo (Ulisses Manaia)
(Texto publicado na revista “Candomblés nº 1”,  – da Editora Minuano – Fevereiro de 2011)

KÒ SÍ EWÉ, KÒ SÍ ÒRÌSÀ! Expressão no idioma Yorùbá que quer dizer: “Se não há folhas, não há Òrìsà!” Esta expressão dá ao leitor o entendimento da importância das folhas dentro dos rituais de origem africana, no entanto, queremos aqui ampliar este conceito, traduzindo por folhas os vegetais de um modo geral, incluindo além de suas folhas, seus frutos, sementes, e até mesmo seu caule; e traduzindo por Òrìsà, os diversos usos “mágicos” desses vegetais.
Na caminhada evolutiva do homem, que hoje a maioria dos estudiosos acredita ter começado no continente africano, ele se valeu da observação da natureza para o desenvolvimento de habilidades que até então ele não possuía e, naquele continente onde “tudo começou”, sociedades ditas “animistas” ou “tradicionais” continuam até hoje vivendo em harmonia com a natureza, dela tirando ensinamentos para a sua vida social. Animistas porque acreditam que “toda manifestação viva pressupõe a presença de uma força vital, determinante do ideal de viver”, e que utilizando práticas específicas esta “força” poderá ser utilizada em seu favor! E dentro deste conceito os vegetais representam um grande potencial de possibilidades.
“Se para a medicina ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e suas características farmacológicas é o principal, para os Yorùbá o conhecimento dos ofò, encantações pronunciadas no momento da preparação das receitas e transmitidas oralmente, é o que é essencial. Neles encontramos a definição da ação esperada de cada uma das plantas que entram na receita.” (Ewé, Pierre Verger, 1995).
Bom, diante dessa referência concluímos que as plantas e seus derivados não são utilizados aleatoriamente, visam atender necessidades específicas, ou seja, qual o resultado esperado? Ou ainda: utilizar a folha certa no momento certo! Vimos também que a ação esperada dessas folhas está ligada ao que vai ser dito no momento de sua utilização, o ofò, que nada mais é do que a utilização da palavra enquanto transmissora de àse. Verger diz ainda que à primeira vista é difícil perceber nas diversas “receitas”, que tem como ingredientes elementos vegetais, qual é a parte “mágica”, ou seja, aquela que o efeito vai se dar pelo àse nela contido, e quais as virtudes testadas experimentalmente dessas plantas, ou seja, ele diz com isso que muitas dessas plantas já tiveram suas propriedades farmacológicas comprovadas.
Dentro desse contexto quero destacar o trecho de uma canção brasileira, interpretada pela célebre cantora baiana Maria Bethânia:“Salve as folhas brasileiras! Salvem as folhas para mim! Se me der a folha certa, e eu cantar como aprendi, vou livrar a Terra inteira de tudo que é ruim! Eu sou o dono da terra, eu sou o caboclo daqui! Eu sou Tupinambá que vigia, eu sou o dono daqui!” (meu grifo).
O que me chamou atenção nessa composição, e que destaco para o leitor, é que ela ilustra o trecho acima de Verger, e mais ainda, a utilização das folhas está associada a um dos grupos indígenas brasileiros, sugerindo que esses nativos, primeiros habitantes do nosso País, também conheciam essa prática!
Ainda de Pierre Verger:“Na língua Yorùbá, freqüentemente existe uma relação direta entre os nomes das plantas e suas qualidades, e seria importante saber se receberam tais nomes devido às suas virtudes ou se devido a seus nomes, determinadas características foram a elas atribuídas.” (meu grifo).Como ilustração, transcrevemos o trecho de uma preparação Yorùbá para obtenção de dinheiro:
PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)
PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN! (Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)
Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò! No caso da receita acima, a sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza! Certa vez ouvi de meu “bàbá” que o negro yorubano tem sobre nós a vantagem do uso corrente do idioma, enquanto nós aqui no Brasil ficamos presos a textos prontos, que nos foram transmitidos ao longo do tempo.
Para algumas pessoas, principalmente para aquelas que não estão ligadas aos cultos de matriz africana, pode parecer um tanto “primitivo” pensar dessa maneira, digo, esperar resultados a partir da utilização de certas plantas, de sementes, etc., enfim de elementos da natureza, aparentemente inanimados. No entanto, repetimos, existe por traz da utilização desses elementos uma questão cultural. Eles se utilizam desses elementos da natureza acreditando que eles expressam as suas necessidades perante o “Criador”, o destino final de seus pedidos:
“…Uma composição mágica parece ser considerada como uma coleção de coisas materiais, às quais é dado um valor simbólico; juntas constituem uma mensagem…” (Ewé, Pierre Verger, 1995)
Entre os Yorùbá, os ofò são frases curtas nas quais muito freqüentemente o “verbo” que define a acão esperada, chamado de “verbo atuante”, é uma das sílabas do nome da planta ou do ingrediente empregado. No entanto, o elo entre o nome da folha e a ação esperada, invocada através do ofò, não se limita apenas ao verbo, mas pode aparecer em uma frase curta ou longa, nesse caso estabelecendo uma relação simbólica entre algumas “características naturais” daquela planta a as “necessidades” do homem.
Vejamos alguns exemplos: ÀT’ÒJÒ ÀTEÈRÙN KÌ Í RE TÈTÈ
(Tètè nunca está doente, nem na estação chuvosa nem na seca)
Este ofò faz referência a uma folha conhecida popularmente por Bredo ou Caruru de porco, e cujo nome Yorùbá é Tètè. É uma folha facilmente encontrada, tanto no meio urbano, nas margens de calçadas, como no meio rural, e confesso que antes de conhecer o seu valor ritual, passava-me despercebida, assim com muitas folhas que não conhecemos! Percebemos pela tradução que é uma planta resistente às variações da natureza, permanecendo sempre saudável, e não é este tipo de força que queremos para nossa vida?
OJÚ ORÓ NI Ó N’LÉKÈ OMI, TÈMI Ó L’Á LÉ (Ojú oró flutua na água, eu também ficarei por cima)
Ojú oró é conhecida popularmente por Erva de Santa Luzia, é uma planta aquática, encontrada em rios ou lagoas. Percebemos que nesse ofò evoca-se o poder dessa planta de conseguir manter-se sempre por cima da água!
Em território Yorùbá, na preparação dos trabalhos ligados à obtenção de todo tipo de sorte, ou para afastar algum mal, esses vegetais são pilados e misturados ao sabão africano Ose (oxé) Dudu, com o qual toma-se banho, ou então são torrados, até a obtenção de um pó, que poderá ser misturado à comida, a bebidas destiladas, ou até mesmo esfregado em incisões feitas no corpo, particularmente nos punhos.
Essas práticas quase não sobreviveram aqui no Brasil, por ocasião da reestruturação do culto aos Òrìsà, no entanto há uma prática viva entre nós: o Oro Asa Òsónyìn ou Sassanha, como é mais conhecido, um ritual realizado nas casas de raízes Yorùbá, que significa basicamente: Ritual de proteção de Òsónyìn. Utilizamos o recurso dos “cânticos da folhas” para determinar que as oferendas sejam cobertas de realizações, uma vez que esses cânticos possuem “verbos atuantes” que facilitam a comunicação entre o povo e os Ancestrais Divinizados. No caso de uma Iniciação para Òrìsà ou “Feitura de Santo”, este ritual é realizado para preparar a “esteira”, onde ficará deitado o iniciado e o “banho” para lavar todos os seus objetos rituais, bem como para os seus banhos matinais diários.
Referências Bibliográficas:
- Monteiro, Marcelo dos Santos, 1960 – Curso Teórico e Prático de Folhas Sagradas – Oro Asa Òsónyìn – Rio de Janeiro – 1999 – 59 p. (Biblioteca Nacional);
- Verger, Pierre Fatumbi – Ewé: o uso das plantas na sociedade ioruba – São Paulo: Companhia
das, Letras, 1995;
- CD “Dentro do mar tem rio”, Maria Bethânia – Gravadora Biscoito Fino.
- Contato: ulissesmanaia@hotmail.com
(Artigo catado do site: www.ocandomble.wordpress.com)

domingo, 6 de novembro de 2011

POR UMA QUESTÃO DE DIGNIDADE

Babaloorisá João Bosco D’Sangò



Novembro comemora-se o mês da Consciência Negra. Comemorações e festas não irão faltar pelo Brasil a fora. Nada contra festas, porém cremos ser ínfima diante do cotidiano injusto que ainda perpassa a realidade de nós afrodescendente. Devemos sim comemorar o 20 de novembro, afinal entre tanto outros heróis negros que temos Zumbi – o líder do Quilombo de Palmares é um deles. Mas também deve-se aproveitar esse mês para discutirem-se os meandros que pairam as religiões de matriz africana.

Refletir acerca do que seja ter consciência negra entre nós religiosos de matriz africana é perceber a importância do diversos povos negros que com a diáspora africana vieram para nosso país na condição de escravizado. Porém, o que percebe-se entre um variado grupo de lideranças religiosas de matriz africana é ainda a ausência de compreensibilidade sobre do papel do candomblé na formação social e cultural do Brasil. Estes religiosos poucos informados e também poucos formados do seu papel social resume-me as suas funções em apenas e tão somente religiosas. Esquece-se os mesmo que nossa função enquanto lideranças vai muito além, visto que lidamos com seres humanos, e como tal são desejosos de respostas para suas vidas. Portanto a luta por dignidade humana, por conhecer a história do povo negro tanto na África quanto no Brasil.

Discutir dignidade do negro no Brasil é destacar a luta de um povo que com garra nunca curvou-se diante de seus opressores. E isso as lideranças religiosas do candomblé, além de conhecer essa história devem ressaltar tais fatos para seus liderados, pois como enaltecer o candomblé sem, contudo conhecer o processo de diáspora africana para o nosso país?

Ressalvo que nós liderança religiosas temos obrigação de estudar, conhecer e saber não só sobre candomblé e sim sobre a história e cultura africana e afrobrasileira de uma forma geral. Dessa forma estaremos compreendendo ou pelos menos tentando compreender a alma do negro e do afrodescendente no Brasil, visto que em nossos templos estão presentes pessoas das mais diversas índoles e personalidades. Por isso sacerdotes e sacerdotisas do candomblé devem estar muito bem preparados (as) para lidar com as angustias e mazelas humanas, especialmente do ser humano negro.

No mês da consciência negra este meio de comunicação deseja aventar discussão sobre o papel do sacerdote e sacerdotisa de candomblé como lideranças religiosas e seu papel na sociedade como um todo. Para tanto selecionou-e artigo em que traz as tona a questão das intolerâncias aos praticantes de religião de matriz africana. Visto que é impossível as lideranças religiosas de matriz africana fechar os olhos para essa cruel realidade existente em todos os cantos do Brasil. O artigo propõe a discutir os percalços da vivência cotidiana da dimensão de fé de matriz africana na sociedade brasileira mediante o crescimento da intolerância religiosa. Os autores afirmam que o crescimento da intolerância religiosa em relação aqueles (as) que professam a fé nas religiões dos Orixás tem instigado pesquisadores(as), uma vez que influenciam o processo de interação social. Nas relações familiares, nas escolas, no mundo do trabalho, e até mesmo no simples andar pelas ruas das cidades, as práticas de intolerâncias têm se revelado como afronta à dignidade humana.

Na lenda do deste mês intitulada O Valor do Trabalho, procura demonstrar a importância do trabalho na vida dos seres humanos, como também evidenciar que todo e qualquer trabalho é digno, desde que realizado com gosto e prazer.

Quanto ao calendário de atividades do mês da Egbè Omorisá Sangò são as seguintes:

-Dia 05 (Sábado) das 15 às 17 horas- Atendimento Público;

-Dia 09 (Quarta Feira) Amalá;

-Dia 12 (Sábado) Participação do Ipeté (Festa de Osùn) na Egbé Oni Odé –Campo Grande –MS;

- Dia 19 (Sábado) das 15 às 17 horas- Projeto Entendendo o Candomblé de Nação Ketu – Roda de discussão e debate;

- Dia 26 das 15 às 17 horas- Projeto Entendendo o Candomblé de Nação Ketu – Roda de discussão e debate.

Esperamos com esses escritos contribuir para uma melhor compreensibilidade das religiões de matriz africana no Brasil, e desejamos a todos e todas um mês de alegria e sucesso. Boa leitura da todos (as)